O Consolidador

Em recuperação, descrevemos, plenamente, o fato de uma força que nos orienta e nos sustenta diante da jornada de restauração. Segundo uma compreensão espiritual de muitos dependentes que vivem o processo de recuperação, este contato consciente é aprimorado, dia após dia, no processo de abstinência e vivência da programação.

É importante que, independente de nossas motivações ou crenças individuais, devamos estimular o princípio da mente aberta, tendo a plena convicção de que a maior manifestação de um Poder Superior está no testemunho de muitos dependentes que se recuperaram e narram ,com ênfase, um milagre em suas vidas.

Os tentáculos bondosos desta força nos retiraram de uma rota de destruição completa e, a cada momento, vêm nos despertando para uma realidade de seu amor. Notamos esta manifestação de força em meio ao nosso primeiro passo. Isso ocorre quando nossas personalidades doentes abrem mão do orgulho e de uma série de justificativas, se entregando à rendição que funcionou a tantos outros.

Essa rendição nos possibilita a visão da esperança junto de uma força sobre-humana. Em meio a este processo, somos agraciados com uma restauração de nossa sanidade e, por intermédio disso, encontramos os fortes indícios do que significa esperança.

Passamos a sentir, ouvir e falar sobre nossas experiências. Descobrimos um consolador disposto a auxiliar quando o buscamos no silêncio de nosso íntimo ou em nossos companheiros. Nos tornamos parte deste milagre quando acreditamos nele. Alimentamos, diariamente, o impossível e acreditamos que, a cada dia, em sobriedade, somos parte de uma mensagem de esperança aprimorada e eterna.

A gratidão é o primeiro sinal de transformação em nossas vidas. Somos gratos pela graça que se manifesta em nosso meio, quando, convictos, sentimos este espírito consolador agindo na atmosfera de nossa jornada.

Deixamos as particularidades de lado e, em união, agimos em nossos dois propósitos profundos e primordiais de “se manter sóbrio e levar a mensagem ao dependente que ainda sofre”.

 Desenvolvemos uma intuição de vigilância, nos desprendendo, dia após dia, do medo, raiva e ressentimento. Assumimos nossa responsabilidade e resolvemos agir. Temos uma fonte de força que nos acompanhou, mesmo no desespero, de nossa dependência ativa. Ela nos consola para consolarmos, nos ama para amarmos e nos perdoou para que pudéssemos perdoar. Tudo tem seu tempo, começo, meio e fim. Terminamos a solidão e começamos a união.