Por que o efeito do crack é tão avassalador?

Entre as substâncias com efeitos psicoativos, a mais potente e prejudicial é o crack, pois atua diretamente no Sistema Nervoso Central, produzindo diversas sensações de prazer. Atualmente, a droga já é considerada um problema de saúde pública mundialmente.

O crack nada mais é que a cocaína solidificada em cristais, após a conversão do cloridrato de cocaína para base livre através de sua mistura com bicarbonato de sódio e água. Atualmente, é considerado a forma de cocaína mais viciante, sendo também a mais viciante entre as outras drogas. Infelizmente, vale salientar que este tipo de droga é a forma mais barata, efetiva e prejudicial de levar as moléculas de cocaína ao cérebro, sabotando com mais intensidade a vida dos seus dependentes.

Para entender um pouquinho desta devassidão, bastar saber como interage esta substância no organismo do ser humano. A ação dessa substância no Sistema Nervoso Central (SNC) assemelha-se a uma satisfação sexual ou quando se bebe água quando se tem bastante sede.

A estimulação do crack no cérebro causa diversas sensações de prazer que excedem aquelas experimentadas em situações normais, atingindo partes nobres do encéfalo, como o sistema mesolímbico e o mesocortical, ambos constituintes do sistema de recompensa cerebral.

As áreas em questão são responsáveis pelo registro da memória de pessoas, lugares, objetos e situações que levam o indivíduo ao estado de prazer. Ao inalar o crack, as moléculas de cocaína potencializam as sensações de prazer devido estimulação das regiões cerebrais 3 específicas, gerando já o primeiro contato dependência.

Outra área de extrema importância também é atingida pelo crack. É a região responsável por atividades relacionadas a soluções de problemas, flexibilidade mental, julgamento moral e a velocidade de processamento de informações. O indivíduo torna-se dependente, perde a capacidade de julgamento, tornando-se mais propenso a seguir os estímulos de urgência que levam ao uso da droga.

Se tratando das formas de consumo, pode ser injetado, ou mais perigosamente inalado ou fumado. Quando é injetado, torna o crack bastante caro, devida à necessidade de uma substância bastante pura. Devido isto, a forma de administração mais utilizada e destrutiva é a inalada ou fumada. Essas formas, fazem com que grande quantidade de moléculas de cocaína atinja o Sistema Nervoso Central (SNC) quase imediatamente após o consumo, provocando um efeito explosivo, avassalador e destrutivo. Isto acontece porque a fumaça vai para os pulmões que são altamente vascularizados, levando rapidamente a droga para o cérebro.

O problema maior acontece logo na sequência, pois a droga é velozmente eliminada do organismo, acarretando uma súbita interrupção da euforia e do enorme prazer e, não havendo interrupção, inicia-se uma caminhada para a beira do abismo e o sabotamento cruel da vida dos que enveredam ou são empurrados para este caminho, pois se instala o imenso desprazer e uma enorme vontade de reutilizar a droga.

Da inalação do crack por meio da fumada até seu efeito são 15 segundos, durando os seus efeitos entre 5 e 10 minutos. Isto faz do crack uma droga “poderosa” devido ao prazer quase instantâneo após o uso e seu pequeno tempo de efeito.

Entre os comprometimentos sistêmicos, pode acarretar acidentes vasculares, cefaleia, flebite dos vasos cerebrais, atrofia cerebral e convulsões. No trato digestivo pode provocar náuseas, dor abdominal, perda de apetite, cursando para magreza extrema. Além destes, e não menos importantes, os danos psíquicos, como alterações da cognição e as consequências sociais.

Frente ao alto poder avassalador do crack no Brasil tornou-se um problema de saúde pública, sendo hoje chamado de epidemia. Infelizmente as desgraças que esta droga produz também podem ser registradas em países como Alemanha, Espanha, França e Hungria, onde os índices chegam entre 8% e 3-5 12% de mortes causadas por cocaína.

Fonte: https://revistas.pucsp.br/index.php/RFCMS/article/view/19922/pdf